segunda-feira, 15 de junho de 2009

dia 5, 6 7, 8 ... Santo António ... e hoje

chegamos ao dia 15....

Não tenho escrito.
Não encontro vontade para isso. Não tenho interesse ou assunto.
Não me apetece.
Mais uma vez, parece abandonar algo mal começo... algo que me parece ser quase natural...

Algo estranho se passa. O mau estar está alojado. A paciência, escasseia.

"doi-me o rosto dos pequenos sorrisos que faço, de tão forçados serem..."

Estou naquela fase "chata" em que tudo tem menos brilho... ou nenhum...


... espero ...
... saturo os que me rodeiam, pela apatia, rasgada por momentos de ... antipatia ....

... os miúdos, esses, inocentes, são dos primeiros a sofrer ... os sorrisos são arrancados a ferros para as suas descobertas e aventuras, por outro lado a impaciência e intolerância para as travessuras, naturais de criança, essa é demonstrada sem pudor e ou reflexo ...

... a capitã ... não faz ideia do que fazer.
deixar-me no meu canto ou tentar demover-me?!
tentar fazer-me falar ou deixar-me calado?!
espicaçar-me e provocar para que eu contrarie a bola de neve da má disposição, ou anuir no estado em que escolho permancer?!

não lhe invejo a sorte


é uma fase má.
francamente má.
as melhores ideias que me ocorrem para me alienar deste estado, são tudo menos as melhores, mais saudáveis ou socialmente aceites...

Apetece-me alienar de mim próprio. Sair do meu corpo...

E que eu saiba, existem duas vias.
- Deixar de existir ou a fazer com que o cérebro se esqueça que existe, o que é ou quem sou...

(sendo que a primeira, como parece ser óbvio nunca optei, a segunda passa sempre por
processos de alguma degradação psicológica e com consequências sociais, familiares e até profissionais graves, mas ainda assim, bem aceites, ou não fossemos um país de vinho e vinha - isto caso o álcool fosse escolhido como o catalisador da combustão cerebral que necessito e sinto falta)


Não me apetece alongar-me muito...

Não está fácil...

Sinceramente, pensei em desistir do desmame muito seriamente.
Isto assim não é vida.
Assim não Sou para ninguém...

Vou esperar que passe. Esperar sinceramente que seja A fase má. Esperar que gradualmente algo vá ganhando brilho novamente...

Mas a paciência é pouca. E a força para chegar ao fim, do processo, já foi maior...

Mais do que nunca, preciso do meu porto de abrigo... e sabes que é contigo que falo.
Amo-te... Apesar de tudo. Da minha cara. Da pessoa que sou agora no momento, não te esqueças disso

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Hoje é o dia 4, ontem foi o dia 3...

Ontem foi o dia 3, o da toma do bem dito comprimido.

E é sobre o dia de ontem quem vou escrever... Como se ontem fosse.

""
Notei que até hoje, andei bem.
Relativamente bem
Um pouco mais emocional. Creio que não perceptível do exterior.
Nada depressivo ou triste. O que foi óptimo. Uma pequena vitória.

Depois veio o dia da toma do medicamento.
E o dia nem começou mal, um pouco de ginásio cedo.
Depois muito trabalho.

Mas...

Qualquer coisa clicou...



... não sei bem porquê, nem porque motivo... duas a quatro horas depois da toma, começo-me a sentir chateado...

... entretanto, abro o gmail e online, digo à budjia, que não estou bem... ela diz-me vai para casa descansar, vai dormir e depois se tiveres de regressar ao trabalho, regressas.... A ideia não parece nada má e sinceramente creio que seria o ideal a fazer...

... passo a ansioso, que piora para... para a recordação das piores fases de desvairo da minha vida... decido interromper o trabalho por volta das 14H15 para ver se apanho sol e ar e ver se me passa...


E é aí que me dá o baque... se pudesse, naquele momento, voltava à pior fase de descarrilamento das minha vida...

Tudo me passou pela cabeça...

Mas porquê?!?!?

Os dias têm sido excepcionais... a nível familiar, profissional, emocional... tudo...


Tomei o medicamento que, em teoria, me deixaria bem... Porque raio isto... Penso, vou-me pirar, vou enterrar-me no sofá e dormir até não conseguir mais....

Pedem-me apoio para trabalhar...
Respondo com maus modos que não posso, tou sem paciência....

Vou para a minha sala...
Fecho a janela, apago as luzes, encosto-me na secretária, pés em cima de um armário, coloco os fones ponho donnavan frankenreiter e mantenho-me 45 minutos entre os fechar os olhos e o olhas para o infinito do tecto...

Por fim, chamam-me "diogo, temos mesmo que ir..."
Levanto-me danado com todos, furioso pelo trabalho, enraivecido por não conseguir estar só...
Continuo com maus modos. E sem qualquer razão....

O dia continuou, o trabalho continuou, entre as 17h e as 19h parece que, sem perceber bem porquê, o dia começa lentamente a ganhar brilho novamente.

O trabalho continua.

Entretanto confidencio (estranho!)
com alguém que há pouco tempo conheço (ainda mais estranho) o meu estado

(andarei à procura de preencher lugares de novos amigos? confidentes? é estranho. mas foi espontâneo, curto e sucinto... o tempo de tirar três cafés numa máquina... mas quase tudo dito. sinal de ainda alguma instabilidade. Agora eufórica, em vez de depressiva?!)

23H55. O trabalho acaba. Preparo-me. Sigo para casa e cerca de 15 minutos depois, antes da meia-noite e meia, estou a chegar ao sofá onde meio adormecida está a minha cara-metade.

Falo-lhe do meu dia.
Estou com um humor, agora, estupendo! Rio. Sorrio. Falo e converso.

Ela vai-se deitar e vejo um pequeno episódio humorístico da série "the big bang theory" para relaxar e entrar naquela onda zen do pré-sono e talvez, manter o bom estado de humor...

Deito-me. Ela dormita. Relembro-a o quanto a amo e adormecemos...

""


Volto ao hoje...
Acordo. O sol brilha. os putos tão lindos. Ela, nem preciso de o dizer...

O trânsito não tá mau!... Tá caótico!! Mas ainda assim, nada que não se ultrapasse.

Mais um dia de trabalho e até esta hora, tudo perfeito... tudo normal... como deveria de o ser sempre aliás

Mas e então...

... que raio se passou? ...
... o que foi aquilo que vivenciei aquelas horas? ...
... mais importante do que o que foi, é porquê? ...
... não faço a mínima ...

Espero sinceramente que não o volte a sentir. E sentindo-o, espero que o consiga ultrapassar, desta, ainda um pouco melhor, do que a forma como ultrapassei ontem.
E se isso acontecer, terei tido, mais uma pequena vitória...

Pouco, a pouco. É só o que quero...

Foi o meu dia 3 e hoje tou a meio do dia 4... com calma e muita estupidez natural...

Plágio e Amizade...

Encontrei algo escrito por Fernando Pessoa, que lamentavelmente não conhecia...
Descobri num blog amigo, onde ele o descreve como "brutal" e de facto creio ser, o melhor adjectivo que me consigo lembrar, talvez toldado pelo texto, talvez influenciado pelo bloguista.

Não consegui descobrir a origem do texto, nem o seu contexto, se carta, livro, desabafo, etc...
Ainda assim, deixo-o aqui, acreditando nele como autor... mais do que nele como autor, no que no texto vem escrito e do que nos faz sentir depois de o ler...

Assim...

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!"
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos /os meus amigos!"

Fernando Pessoa





....


descoberto por mim em http://fatacaparadise.blogspot.com




terça-feira, 2 de junho de 2009

Esclarecimento quando aos meus dois post anteriores

Estou no dia 2, da paragem da fluoxetina, por isso e apesar de me considerar em estado "normal" (seja lá isso o que for) é muito possível que o objecto da minha escrita, não seja compreensível nem inteligível e sendo uma das duas, ou mesmo ambas, se torne demasiado meloso... Roçando em momentos o foleiro...

Por isso, peço desculpas.
Ou não...

A Genética...e a biologia...

A biologia, talvez numa tentativa de proteger as crianças do nosso eu egoísta e egocentrista, despoletou na paternidade uma série de alterações comportamentais, que não conseguindo justificar, fazem com que a boa existência da nossa continuidade, seja no fundo a nossa grande Meca. O leva-los a maioridade de forma independente, e provavelmente, vê-los criar posteriormente a sua própria prole, ou destino, com ou sem filhos, o nosso Nirvana.

É estranho...

Para mim é estranho!


E lá vou eu falar de mim...
(um blog é de facto um reflexo narcisista do nosso eu não fisico!)

Casei-me corria a segunda metade do ano de 1998.
Tinha 22 anos acabados de fazer. Vivia sozinho.
Nunca fui dado a crianças, nem tão pouco dado a grande paciência para com terceiros.

Em 2006, na sequência do jantar na noite de são valentim, regado com um belo vinho tinto alentejano, o calor fez esquecer precauções a que vinhamos obrigados fruto de um tratamento médico que a Budjia (capitã de equipa, cara-metade, faltam-me sinónimos e não queria reduzi-la a um "simples ela") vinha a efectuar e inibia que inibia os contraceptivos quimicos habituais, gerámos uma filha.

Não foi planeada. Não tinha, até à data, sido desejada...

... mas passou a ser tão amada...
O primeiro batimento do seu coraçãozinho de beija-flor, a primeira imagem do seu pé na ecografia... As lágrimas assomaram-se-me nos olhos, pela primeira vez em largos, mas largos anos... E Clique.

Mudámos, mudei... Aquele projecto de ser, a minha filha, passou a ser objecto de ternura e adoração, de desejo e preocupação, tanto, que levou, desta por vontade, a criar e dar origem a uma segunda vida, o meu filho...

É estranho... Ainda hoje, adorando os meus putos e os outros até 15 minutos desde que não berrem (a sério, berros de putos, sinos de igreja, vozes estridentes, etc, tiram-me do sério!), não sou particularmente dado a crianças.... Vá consigo manter aquela convivência social, e sorriso tipo 31, em que se finge demonstrar apreciar todas as baboseiras que fazem, ou pior, que os pais publicitam que os seus filhos fazem...

Mas não me vejo sem os meus putos...

Não compreendo o que me fez mudar... e se não fizesse uma análise fria... Não acreditaria no que mudei...

Pensava que iria envelhecer ao lado dela. Só os dois. Viajaríamos. Viveríamos o bom e o mal. E no fim, se calhar egoistamente, ela estaria lá no meu ultimo sopro ( a estatística assim o dita, e é bem mais confortável ser o primeiro!)

Hoje, tenho saudades. Imensas!!!!!!!! Da nossa vida só a dois! Tantas... Das nossas praias, que eram cerca de 45 a 52 fins de semana por ano. Dos nossos cinemas, passeios por Lisboa à noite, teatro, ver tv à noite enrroscados no sofá, lermos calmamente cada um o seu livro numa esplnada um dia inteiro.... Das bezanas acompanhados um pelo outro... Que saudades...

Por outro lado... os putos! Custa deixá-los. Porquê? Ficam mal entregues? são mal tratados? Vai aconcer-lhes algum mal que connosco não aconteceria. Muito provavelmente Não. Então porque carga de água, custa tanto deiá-los com alguém?!?! (e quando falo em alguém, falo em pessoas que nos são muito queridas e/ou próximas , como a minha irmã ou sogros...

Sacana da biologia é lixada....

A Genética...

Já falei neles antes.

Tenho dois filhos. Que aos meus olhos são giros... São uns putos muito giros.
E têm ambos os olhos azuis...

A capitã de equipa tem os olhos castanhos escuros, e eu castanhos, que nas fase românticas. assumem aquela cor tipo catálogo la redoute, que é o castanho avelâ a resvalar para o esverdeado pálido, seja lá isso o que for....

Ora... O que impreterivelmente provoca, nas pessoas que por algum motivos gostam de petizes em idades tenras e com nos cruzamos, seja na fila do supermecado, na rua ou na repartição de finanças, façam o comentário tão típico...

- "ah!. Que crianças lindas e que olhos lindoooos...." em acto continuo, e enquanto varrem o nosso olhar, enquanto em simultâneo perguntam "saiem à mãe ou ao pai?..."

é também em acto continuo que tentam regredir na palavras! Como quem pensa.
- "Merda! Dei um tiro nos pés. Vai na volta, são do melhor amigo aqui do corno manso (possibilidade de facto nunca de descurar! Mas já dizia o meu avô. Novilho que nasce no curral é do boi!)
- "E agora o que digo para me desenrascar desta!" é então que entra a genética e lembram-se sempre da familia, "tou safo", "Ah, Saiem então a que lado da familia?!"

Acho engraçado... A sério que sim.
Os putos são de facto lindos, não fosse eu Pai
(letra grande na palavra pai por livre iniciativa e sujeita a posterior validação por eles, os putos)

Tenho um amigo caucasiano que adoptou um casal de crianças, lindas, de raça negra... Como sera que lhes poêm a questão?.... Nunca lhe perguntei. Talvez um dia.

Devo acrescentar, que ainda assim, e a genética, também terá algo a dizer sobre isso, qualquer elogio que seja efectuado sobre um nosso descendente, torna-se valioso. Tão valioso. Que nos deixa um misto de enebriados, com orgulhosos, naõ sabendo bem se o objecto de orgulho, foi o que Nós, fomos capazes de criar, ou se Aquilo que criámos... e já é alguém...

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ramificando...

Bem,
Segunda-feira.

Não sei bem que rumo manter. Mas vou optar por manter o blog em aberto no que concerne a temas, não me centralizando no assunto de abertura.

Tornar-se-ia maçador para o target deste blog, que sou eu mesmo e o que me apetece dizer.

Assim.
Segunda-feira.

O meu puto tá com febre.
Começou ontem. É normal nestas idades. Se não é dos dentes, é de outra coisa qualquer, tipo "viroses do infantário" seja lá isso o que for, assola por norma, os putos de infantário, e é conversa de café entre alguns circulos de colegas com filhos em idade próxima...


A mãe. Essa. Com aquele olhar pesaroso... De quem não quer dar parte fraca, mas só lhe apetece levar o puto, não sei onde, de forma a que o ponham bom...
Não nasceu para ser mãe.
Não era este o objectivo de vida dela. Não foi esse a nossa meta nos 8 anos casados sem filhos.
Hoje ...
... É a melhor mãe que já conheci ....

Ainda assim, não sendo galinha ou hipocondríaco, custa ver o puto tão molinho ... Com o olhar menos sorridente ...

Mas isto passa. Eu tenho impostos, e transporte públicos/filas de trânsito, ele tem os dentes a nascer. Cada um com a sua "cruz".

Dia 1: sem fluoxetina. tá zero a zero ainda.

domingo, 31 de maio de 2009

Início...

... é o inicio. Nem sei bem do quê...

Procurava respostas simples a questões complexas... onde procurei? No Google, onde mais

(brilhante....)

A questão era simples, a pesquisa ainda mais

"desmame+fluoxetina"

Ok.

Um início não o pode ser sem um princípio...


Em tempos passados, corria o belo ano de 2005, quando após um sucessivo afundar da vida que existe dentro do meu crâneo... e após muitos empurrões daquela que é a minha cara-metade de largos anos e melhor amiga...

... procurei acompanhamento médico ....

Adorei...
... Dez minutos de atendimento e ali estava eu a pagar a consulta com uma receita para fluoxetina na mão ...

- Sabe bem saber que problemas (existentes ou não) acumulados em perto de três décadas de existência, seriam resolvidos com aquele maravilhoso papel com código de barras e um nome manuscrito em jeito de corrida de quem gosta do que faz, mas, e há sempre um mas, a clínica particular, ginásio/namorada/fox life/seja-la-0-que-for-que-seja-o-seu-hobby não podem esperar. -


Vamos lá então...

- Farmácia, "verde-código-verde", "nome do recibo", obrigado.

E já está!!

Ah, a maravilha da evolução médica e farmaceutica em toda a sua pujança.

Carro. Casa.
- "Então? Como correu?"... pergunta-me depois de tantas insistências para que eu procurasse alguém que me ajudasse a passar por isto, a me ultrapassar a mim próprio - passe a redundânia.

Disposição natural a minha, ou falta dela na resposta,

"não sei ao certo... entrei, falei alguns, pareceram segundos, minutos e deram-me isto"

Com a fluoxetina na mão.

Comecei a tomar. 20mg por dia de manhã. Simples.

Foi incrivel. Comecei de facto a tomar.
Não li a bula.
Não pesquisei sobre o que era o raio da fluoxetina.
Não soube dos efeitos secundários.
Não sabia para que servia.
Não sabia o que tratava.
... e estava-me a cagar, não só para a fluoxetina, como de resto, para todos ... por isso, tomei ... tomei e caguei ... Podiam-me ter receitado somente ben-u-ron ou um qualquer herbicida/pesticida ... "eu cagaria e tomaria" ...

(desculpem-me o uso excessvo das várias conjugações do verbo cagar... mas sinceramente, do léxico português por mim conhecido, não me ocorre melhor palavra)

os dias foram passando, bem como os meses ...

não foi nada radical, não foi drástico, mas quando me apercebi, já bastante tempo depois, não sei ao certo quando, comecei a ver algum brilho no sol... a ouvir o mar... a achar os demais, por vezes, interessantes... a querer ouvir falar...
isto era estranho... muito estranho... andava a dar em drogas e devem ser boas!!!

não só me rio, como me sinto bem... com altos e baixos, naturalmente, mas comecei a sentir-me feliz... normalmente feliz... já sentia a aragem da noite no rosto... já admirava o escuro da noite... já me snetia bem com o silêncio...


a fase do afastar os outros, querer dormir até não conseguir mais e o achar que a vida se tornava longa demais, estava a passar... sinceramente, olhava para trás e nem sequer compreendia o que a tinha motivado... Palavra!!Mas porquê? Perguntava-me eu? O que me fazia sentir daquela forma?! Manteve-se tudo na mesma! Na prática, na mudou!

Tenho uma amiga fabulosa, que é a minha cara-metade, tenho um emprego que me paga a renda, tenho alguns, poucos, bons amigos, tenho sol, areia e mar... O que é que me faltava naquela altura... Mariquices, penso eu sob o efeito divino da fluoxetina.

É verdade. O Raio da medicina farmacêutica, devolveu brilho quando tudo era baço e escuro.

Meados de 2006. O meu Pai. Deixou de existir... Algo que se antecipava há alguns anos, mas que cirurgias e transplantes, prolongaram a existência, não o suficiente para chegar a um dos meses mais importantes da minha vida...
... Novembro de 2006, nasce a minha filha. Avassalador. Os primeiros dias, não foram bons. Um misto de troca. Perda e ganho. Uma vida pela outra. O meu Pai por um lado, a minha filha por outro. Um substituiria o outro. O amor a um, encontraria destino no outro? Não melhorou muito o meu estado.

É em Novembro também que digo a meia dúzia de pessoas mais importantes, o que ando a tomar.
Fiquei nesta altura informado, por uma dessas pessoas confidentes, o que era afinal a fluoxetina, anti-depressivo, disseram-me, para a qual tinha mergulhado, e nunca mais interessado.

Esperem... falta um pormenor... O Sr. Dr. do qual não duvido as capacidades terapeuticas, não foi mais por mim consultado, ou outro... graças às maravilhas da cumplicidade de pessoas amigas, sempre comprei a fluoxetina sem receituário médico, acompanhamento e supervisão. - algo que não apoio, pois, creio que estas fases carecem de um apoio forte e eficaz...
Mas estava bem. E continuava bem.

Bem, resumindo e baralhando até ao dia de hoje, 2006, acabei mesmo por perder alguém que já estava a perder aos poucos para o cancro desde 2004, ainda em 2006, ganhei uma filha e algum equilibrio interno, em 2008 a familia aumenta... ganhei o meu puto.
2009, creio que sou o outro eu.

Sou um pouco daquilo que sonhava...

... uma formiga que consegue cantar ...

E chegamos ao actualmente.

2009. Mais de três anos a tomar fluoxetina religiosamente, 20 mg por dia, como paraquedista, cuida do seu paraquedas, decido, em medo, que pode estar na altura de tentar largar a dependência, que sinceramente, não sei ser real... física ou psicológica

"Mas espera, pelo que li aí na net, isto pode ser dificil... Vamos novamente a um, outro psiquiatra."

Ah... É bom saber que há coisas que nunca mudam...

Consulta. Esta durou talvez 15 minutos.
No meio destes 15 minutos, onde seu sem qualquer pudor, revelei tudo o que me preocupava telegraficamente, refiro-me à fase que antecedeu a toma da fluoxetina e o que motivou o seu inicio e manutenção da toma da mesma. Onde demonstrei que o meu prazer por existir era tanto, que nada tinha sal e para mim, nada tinha sal, sendo que já nem o interesse sexual surgia... pelo menos no estado sóbrio. O alcool era o unico catalisador da existência e interacção com terceiros, fosse esta interacção social, emocional ou sexual ...

Devo ter utilizado termos desadequados, falta de educação na àrea da medicina, ou problemas adaptação ao novo prontuário da lingua portuguesa, ou então, tenho problemas graves de dicção, porque, ali estava eu com uma receita de fluoxetina e agora, ah-ah Viagra!!!!

Acrescento ainda, talvez em desespero de quem fala com surdos, e desta certamente noutros termos, mas cuja essência terá sido

-"mas repare... eu não tive problemas em conseguir... tive problemas em querer conseguir. Compreende a diferença? Nada me apetecia. Nada na vida me fazia sorrir. Não sonhava com nada. A libido estava naturalmente morta mas tal como qualquer outra fonte de prazer. Mesmo com uma erecção, preferia dormir!" - É assim tão difícil de compreender? E quando digo nada me apetece não me refiro ao sexo, refiro-me ao jantar com amigos, ao cinema, ao conversar, ao namorar, ao passear, ao surfar, a tanto mais do que o sexo...

Pelos vistos não e definitivamente tenho problemas, afinal, pelos 15 minutos de diagnóstico, sob o douto olhar daquele ser feminino iluminado pela divina providência do campo santana (digo eu, mas poderia ser qualquer faculdade nas Baleares ou Canárias) e sequente especialização em psiquiatria clínica, num outro local qualquer, tornei-me em mais um individuo com tendências obsessivo-compulsivas...

Ah! Finalmente tenho um nome!!!

"Mas se quer mesmo parar," diz-me "tome dois dias e interrompa um e depois, talvez daqui a um mês ou pouco mais, falamos. Marque a consulta lá fora, ok? E já agora. É de que subsistema de saúde?" disse-me em jeito de tchau, esse ser.... iluminado

tenho de ser franco... saí num misto de danado, triste, sorridente, confuso, desacreditado, e claro - obsessivo-compulsivo - que é sempre um óptimo tema de conversa, quando o caso Freeport, se esgota.

afinal, expus-me de forma a que nunca tinha conseguido além daquela mais que eterna cara-metade... estava nu em frente aquela cidadã de bata branca e foi este o resultado? É isto ser-se acompanhado por um profissional?

Espero, que que o Laboratório Farmacêutico Pfizer, ofereça a almegada viagem a esta senhora, ou então a nova máquina de lavar roupa com cuba para 7 quilos de roupa com que tanto sonha, que ela bem merece os pontinhos do seu cartão... pela velocidade com que me receitou Viagra

Ok. Abril, tomei dois parei um.
(Falo da fluoxetina - estou a guardar a hipotese de utilizar Viagra, para quando conseguir - sim, no fundo sou homem, e por consequência primário, logo a esperança nunca morre! - convencer a cara-metade a partilhar-me numa louca noite lá em casa com três modelos russas, ou outras quaisquer. É claro que desde que ela utilizou o potente argumento - "Tudo bem. Pode ser. Mas só quando eu não chegar para ti. Aí convidamos quem quiseres!".... Raios! Onde é que ela foi buscar esta?!.... nunca mais toquei no assunto ....)

Bem voltemos ao assunto....

Maio, dia sim dia não.
Tenho de admitir, a primeira semana de Maio, não foi nada fácil.
E ainda hoje, sinto-me menos sorridente... e sinto, que os meus filhos, ela, com dois anos e meio e ele a fazer os 6 meses, o notam.

Ainda assim, se é para cessar, para parar, para largar, temos de tentar... só falta o resto...

E agora Junho... Queria experimentar o tomar um dia parar dois...

O que me traz ao dia de hoje... dia em que andei à procura de experiências idênticas, no que concerne à toma e desamame de fluoxetina, para procurar a via apropriada para tentar nadar sem esta tábua salvação que foi e ainda o é a fluoxetina.

No fundo, tenho receio... Tenho receio de voltar a ser a formiga que só sonha em cantar... ou pior, de voltar a ser a formiga... que nem sequer sonha...
Tenho medo
Tenho medo de voltar àquele eu de 2005... Não gostei daquele gajo... Não quero voltar a ser aquele gajo.
Preferiria tomar esta treta para o resto da vida, a viver como vivi aqueles anos.

Para juntar exerço uma profissão com alguma "dinâmica" (seja lá isso o que for) e as debilidades mentais, vistas como fraquezas emocionais nunca são muito bem aceites, pelo que sempre foi algo que ocultei, até ao passado mês, altura em que contei a alguns colegas, com os quais nutro um relacionamento profissional revestido de alguma amizade, porque sim.
Simplesmente porque sim.

Bem, para acabar que já estou farto de escrever...

Amanhã, nova fase. Segunda e Terça, nada de fluoxetina, agora só Quarta e por aí em diante até cessar... Ou não...

Depois, se me apetecer, escrevo mais.

Aquele abraço e obrigado, às vezes falar, mesmo para ninguém, sabe bem...