A biologia, talvez numa tentativa de proteger as crianças do nosso eu egoísta e egocentrista, despoletou na paternidade uma série de alterações comportamentais, que não conseguindo justificar, fazem com que a boa existência da nossa continuidade, seja no fundo a nossa grande Meca. O leva-los a maioridade de forma independente, e provavelmente, vê-los criar posteriormente a sua própria prole, ou destino, com ou sem filhos, o nosso Nirvana.
É estranho...
Para mim é estranho!
E lá vou eu falar de mim...
(um blog é de facto um reflexo narcisista do nosso eu não fisico!)
Casei-me corria a segunda metade do ano de 1998.
Tinha 22 anos acabados de fazer. Vivia sozinho.
Nunca fui dado a crianças, nem tão pouco dado a grande paciência para com terceiros.
Em 2006, na sequência do jantar na noite de são valentim, regado com um belo vinho tinto alentejano, o calor fez esquecer precauções a que vinhamos obrigados fruto de um tratamento médico que a Budjia (capitã de equipa, cara-metade, faltam-me sinónimos e não queria reduzi-la a um "simples ela") vinha a efectuar e inibia que inibia os contraceptivos quimicos habituais, gerámos uma filha.
Não foi planeada. Não tinha, até à data, sido desejada...
... mas passou a ser tão amada...
O primeiro batimento do seu coraçãozinho de beija-flor, a primeira imagem do seu pé na ecografia... As lágrimas assomaram-se-me nos olhos, pela primeira vez em largos, mas largos anos... E Clique.
Mudámos, mudei... Aquele projecto de ser, a minha filha, passou a ser objecto de ternura e adoração, de desejo e preocupação, tanto, que levou, desta por vontade, a criar e dar origem a uma segunda vida, o meu filho...
É estranho... Ainda hoje, adorando os meus putos e os outros até 15 minutos desde que não berrem (a sério, berros de putos, sinos de igreja, vozes estridentes, etc, tiram-me do sério!), não sou particularmente dado a crianças.... Vá consigo manter aquela convivência social, e sorriso tipo 31, em que se finge demonstrar apreciar todas as baboseiras que fazem, ou pior, que os pais publicitam que os seus filhos fazem...
Mas não me vejo sem os meus putos...
Não compreendo o que me fez mudar... e se não fizesse uma análise fria... Não acreditaria no que mudei...
Pensava que iria envelhecer ao lado dela. Só os dois. Viajaríamos. Viveríamos o bom e o mal. E no fim, se calhar egoistamente, ela estaria lá no meu ultimo sopro ( a estatística assim o dita, e é bem mais confortável ser o primeiro!)
Hoje, tenho saudades. Imensas!!!!!!!! Da nossa vida só a dois! Tantas... Das nossas praias, que eram cerca de 45 a 52 fins de semana por ano. Dos nossos cinemas, passeios por Lisboa à noite, teatro, ver tv à noite enrroscados no sofá, lermos calmamente cada um o seu livro numa esplnada um dia inteiro.... Das bezanas acompanhados um pelo outro... Que saudades...
Por outro lado... os putos! Custa deixá-los. Porquê? Ficam mal entregues? são mal tratados? Vai aconcer-lhes algum mal que connosco não aconteceria. Muito provavelmente Não. Então porque carga de água, custa tanto deiá-los com alguém?!?! (e quando falo em alguém, falo em pessoas que nos são muito queridas e/ou próximas , como a minha irmã ou sogros...
Sacana da biologia é lixada....
É estranho...
Para mim é estranho!
E lá vou eu falar de mim...
(um blog é de facto um reflexo narcisista do nosso eu não fisico!)
Casei-me corria a segunda metade do ano de 1998.
Tinha 22 anos acabados de fazer. Vivia sozinho.
Nunca fui dado a crianças, nem tão pouco dado a grande paciência para com terceiros.
Em 2006, na sequência do jantar na noite de são valentim, regado com um belo vinho tinto alentejano, o calor fez esquecer precauções a que vinhamos obrigados fruto de um tratamento médico que a Budjia (capitã de equipa, cara-metade, faltam-me sinónimos e não queria reduzi-la a um "simples ela") vinha a efectuar e inibia que inibia os contraceptivos quimicos habituais, gerámos uma filha.
Não foi planeada. Não tinha, até à data, sido desejada...
... mas passou a ser tão amada...
O primeiro batimento do seu coraçãozinho de beija-flor, a primeira imagem do seu pé na ecografia... As lágrimas assomaram-se-me nos olhos, pela primeira vez em largos, mas largos anos... E Clique.
Mudámos, mudei... Aquele projecto de ser, a minha filha, passou a ser objecto de ternura e adoração, de desejo e preocupação, tanto, que levou, desta por vontade, a criar e dar origem a uma segunda vida, o meu filho...
É estranho... Ainda hoje, adorando os meus putos e os outros até 15 minutos desde que não berrem (a sério, berros de putos, sinos de igreja, vozes estridentes, etc, tiram-me do sério!), não sou particularmente dado a crianças.... Vá consigo manter aquela convivência social, e sorriso tipo 31, em que se finge demonstrar apreciar todas as baboseiras que fazem, ou pior, que os pais publicitam que os seus filhos fazem...
Mas não me vejo sem os meus putos...
Não compreendo o que me fez mudar... e se não fizesse uma análise fria... Não acreditaria no que mudei...
Pensava que iria envelhecer ao lado dela. Só os dois. Viajaríamos. Viveríamos o bom e o mal. E no fim, se calhar egoistamente, ela estaria lá no meu ultimo sopro ( a estatística assim o dita, e é bem mais confortável ser o primeiro!)
Hoje, tenho saudades. Imensas!!!!!!!! Da nossa vida só a dois! Tantas... Das nossas praias, que eram cerca de 45 a 52 fins de semana por ano. Dos nossos cinemas, passeios por Lisboa à noite, teatro, ver tv à noite enrroscados no sofá, lermos calmamente cada um o seu livro numa esplnada um dia inteiro.... Das bezanas acompanhados um pelo outro... Que saudades...
Por outro lado... os putos! Custa deixá-los. Porquê? Ficam mal entregues? são mal tratados? Vai aconcer-lhes algum mal que connosco não aconteceria. Muito provavelmente Não. Então porque carga de água, custa tanto deiá-los com alguém?!?! (e quando falo em alguém, falo em pessoas que nos são muito queridas e/ou próximas , como a minha irmã ou sogros...
Sacana da biologia é lixada....
3 comentários:
A Genética e Biologia...
Vamos lá explorar uma outra vertente deste tema...
Será genético ou biológico o facto dos homens não serem dados às lides domésticas?
No inicio do nosso namoro, na fase em que começaste a frequentar a casa dos meus pais, e possivelmente para ficares bem visto, eras sempre tu que punhas e levantavas a loiça da mesa às refeições, fazendo questão que o resto das pessoas continuassem sentadas! Entre outros pequenos pormenores, que me levou a crer que numa vida em comum as tarefas iriam ser partilhadas...humm, pois sim, fui bem enganada!
Hoje, passados 10 anos de casados, e depois de várias tentativas e utilizando vários métodos que te levassem a me ajudar - lembro-me de termos passado uma semana sem lavar a loiça e sem eu arrumar a tua roupa - a tua contribuição para a limpeza e organização da casa é, digamos...nenhuma.
De manhã, tenho que te por fora da cama, vais directo para o duche (que demora eternidades!!!), sais e vestes a roupa que te te escolhi e deixei preparada no dia anterior. Diriges te para a sala onde está o computador e lá ficas a vegetar até eu te chamar da cozinha porque o pequeno almoço já está pronto(até a medicação já está ao pé do copo de leite), comemos, bebes um café, pegas nas tuas coisas e: -" bem môr, tenho que ir embora", um beijo de despedida e sais porta fora.
Quando regressas à noite, o processo não é muito diferente... beijos aos putos e a mim, despes aquela roupa e vestes algo mais confortável e ficas a vegetar no computador até eu te chamar porque o jantar está pronto. Comemos e, às vezes, distraído com a conversa, até me ajudas a levantar a loiça!
Vais dar banho aos miúdos(sim, isso consegui que fosses tu a fazer desde o 1º dia de cada um deles), e voltamos para a sala até eu te perguntar: -"vamos para a cama?"
Mas como tu dizes: "Sacana da biologia é lixada"
Apenas faltou dizer, que de manhã, quando te ponho fora da cama, normalmente já estou acordada há uma hora, pois a filhota já foi ter ao nosso quarto a pedir leitinho, fui com ela até à cozinha onde aquecemos o leite, pu-la a fazer xixi, e levei-a para a nossa cama, juntamente com a chucha, a fralda, a rena, o bébe do casaco e almofada do piu-piu, onde ela fica a beber o leite pelo biberon. Entretanto acorda o mais novo, mais um biberon de leite, mudar fralda, vestir a roupa e fica na cama da mana enquanto trato dela. Vestir a roupa e pentear(tarefa nada fácil e quase sempre a refilar), nos entretantos ainda tenho que brincar com ela a qualquer coisa ou ir procurar algum brinquedo que ela não sabe onde está. É nesta altura que te acordo e quanto tomas banho, visto-me, faço a cama, arrumo a loiça que está na máquina e ainda ponho roupa a lavar. Faço o pequeno almoço para os dois mais um copo de leite com chocolate e um bolacha para a filhota, vens para a cozinha, comes e adeus. Arrumo a cozinha, arrumo as almofadas do sofá da sala, vou buscar as mochilas dos miúdos, a minha mala e lá vamos os 3 a caminho do infantário.
Quando regressamos,há que tratar da roupa deles, de mudar fraldas e de brincar até serem horas de jantar, hora essa a que tu chegas e ficas no computador até nós irmos jantar e depois dar o banhos aos miúdos. Enquanto tu fazes essa parte, eu arrumo a cozinha, escolho e preparo as roupas para todos vestirem no dia seguinte e tomo um banho. Depois de um episódio dos Simpsons a filhota já não se aguenta mais e vai lavar os dentes, fazer xixi, dar beijinhos de boa noite ao pai e ao mano e vai para a cama, com a chucha, a fralda, a rena, o bébe do casaco e almofada do piu-piu e pede-me com voz melosa: -" Mãe, fica aqui um bocadinho." Aconchego-lhe os cobertores, dou-lhe mais um monte de beijinhos, apago a luz e encosto a porta...ainda fico um bocadinho à escuta para ver se ela não me chama, e então vou eu sentar-me no sofá, onde tento aguentar-me acordada para ver as séries da fox mas nem sempre consigo e depois lá te digo: -vamos para a cama?
Não quero que interpretes isto como uma queixa, há coisas que gosto mesmo de fazer e outras que prefiro ser mesmo eu, mas uma ajudinha de vez em quando sabia tão bem...
Mas como tu dizes: "Sacana da biologia é lixada"
Beeeem! Mas que puxão de orelhas!
Mulher?!? Fazes-me passar vergonha e enxovalhas-me em frente às nossas visitas?!?
Beijos, eu também te amo...
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